domingo, 10 de agosto de 2008

Falta de critério

Dia de cerimônia da bandeira da Rússia, na Vila Olímpica. Chego cedo. Afinal, a idéia é falar com o chefe de missão ou algum cartola local sobre os trocentos casos de doping que assolam o atletimso russo, um dos mais fortes do mundo, às vésperas do início dos Jogos (isso foi na quarta, dois dias antes da festa de abertura da Olimpíada).

Mas apesar de ter podido ficar atrás das arquibancadas na cerimônia da bandeira do Reino Unido, um dia antes, fui impedido de ter acesso sequer próximo ao local de execução do hino russo.

Um voluntário me jogava para um caminho, o outro me pedia para retornar ao anterior. Mesmo faltando cinco minutos para o início da cerimônia, os voluntários diziam que ela já tinha começado e não poderia entrar. Detalhe, estou falando da praça das bandeiras da Vila Olímpica, um lugar descampado, onde já tinha até posado para foto, dias antes.

Sem conseguir combinar nada antes da cerimônia, me resigno a esperar. Acabado o hasteamento da bandeira do time que deve ocupar o terceiro posto no quadro de medalhas aqui, me dirijo à entrada da praça das Bandeiras. Sou novamente impedido. Tenho que esperar os caras saírem de lá.

O problema é que a cartolagem ainda é convidada a entrar em um toldo para um coquetel de confaternização com os chineses. É, no caso do Reino Unido também não houve nada disso.

Adivinha se pude entrar? Pois é, após mais uma vez ter meu trabalho limitado pelos voluntários, não agüento e solto um básico: "Mas na Olimpíada de Sydney não foi assim [disse isso por puro palpite, não estava lá]. Em Atenas também não [nesta eu estava, e podíamos assistir à cerimônia de bandeira sentados com a delegação, algo inimaginável por aqui].

"São razões de segurança", justificou a voluntária, certamente me olhando como um potencial separatista georgiano pronto para agir contra a Rússia.

Essa foi demais retruquei que em Atenas já tinha havido o 11 de setembro, e nem por isso havia aquela palhaçada toda.

"Provavelmente aqui é assim porque essa será a maior Olimpíada de todos os tempos", justificou a chinesinha com seus discursos nacionalistas grandiloqüentes.

"Acho que provavelmente é porque seu país é o mais problemático de todos os tempos", retruquei, deixando a voluntária com cara de tacho.

Felizmente, consegui falar com o Vladimir Vasin, chefe de missão, pouco depois.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Olimpianas

Pois é, cheguei aqui há uns dez dias e acho que um misto de jet leg e desorganização me fizeram ficar tanto tempo sem postar nada. Como é difícil retomar as coisas após tanto tempo, vou destacar algumas coisas que chamaram a atenção nesses dias pequineses...



VOLUNTÁRIOS - É impressionante como eles estão por toda a parte. Vá até o banheiro, há dois voluntários te aguardando na porta. Dirija-se à saída do centro de imprensa, há uma meia dúzia deles só pra te dizer "Ni hao" (olá em chinês, uma das três ou quatro palavras que aprendi da língua deles). Pegue o ônibus para a Vila de Mídia. Há uns três para te conduzirem até a porta. São tantos que às vezes parecem um exército. E literalmente marcham como militares, como neste flagrante aí, na chegada do revezamento da tocha a Pequim.

Nesta véspera de Olimpíada, temos já muuuitos jornalistas trabalhando ensandecidamente, 24 horas por dia, em textos e fotos olímpicas. Por isso, a proporção voluntário-credenciado diminuiu bastante. Mas quando eu e meu colega de Folha, Eduardo Ohata, chegamos aqui, praticamente desbravamos a sala de imprensa. Havia alguns poucos gatos pingados no imenso salão destinado aos jorlnalistas de imprensa escrita. Sobravam voluntários por toda a parte. Era só perguntar algo a um deles, para uma horda de chineses te cercarem tentando ajudar (apenas um resolveria!).

O cúmulo aconteceu comigo em um dos primeiros dias. Tinha acabado de lavar as mãos, no banheiro, quando fui pegar a toalhinha de papel. Não precisei. Havia um voluntário só para pegá-la para mim. Depois de secar, fui jogá-la no cesto. Novamente fui surpreendido por outro, que estava lá apenas para pegar meu papelzinho úmido e jogá-lo no lixo. Fiquei me sentindo um misto de inútil completo e marajá indiano.

domingo, 13 de julho de 2008

Maratona futebolística

O C.P. San Cristobal de Terrassa, cidade a 20 km de Barcelona, organizou como principal evento para festejar seus 50 anos uma marca para entrar no Guinness, o livro dos recordes. O clube completou 50 horas ininterruptas de futebol, superando a marca anterior, que pertencia à cidade argentina de Necoche.

O encontro teve início na última sexta-feira, às 12h e só terminou hoje, às 14h. Participaram da peleja 870 jogadores. E teve espaço para todos: 795 eram homens, 83, mulheres, que formaram 40 equipes. A partida foi apitada por sete árbitros.

O jogador mais jovem da festividade foi um garoto de 6 anos. O mais velho, atuou aos 67.

O final do jogo foi favorável para o time que jogou de branco, que derrotou a equipe azul por 240 a 207.

Agora, o C.P. San Cristobal, agremiação que tem sua equipe na Primeira Divisão da Catalunha, apresentará toda a documentação gravada e escrita devidamente supervisionada para que seja inscritano livro dos recordes.

sábado, 12 de julho de 2008

Lost in translation

Viajar é realmente uma das maiores benesses da carreira jornalística. Das paragens que conheci graças ao bloquinho e a caneta, sem dúvida, a mais exótica foi o Quênia, em maio deste ano.

Em um país em que conheço pouco, encontrei escassas informações na internet e havia passado recentemente quase que por uma guerra civil, não tinha muita idéia do que iria encontrar. Mas vamos a duas historinhas.

Chegada ao Aeroporto de Nairóbi. Como conhecia pouco do Quênia, travei contato com um jornalista de Nairóbi, o Elias, que conheci através da Associação Internacional de Imprensa Esportiva.

Prestativo, Elias, que é editor de Esporte no "Daily Nation", principal jornal de Nairóbi, se prontificou até a me buscar no aeroporto.

Na chegada, procurei alguém com cara de Elias, até que achei um rapaz negro e magro, com uma plaquinha escrita: "Adalberta Leister". Fascinado com a viagem, perdoei facilmente o erro na escrita.

"Oi, Elias", cumprimentei.

Meu anfitrião logo desfez o equívoco: "Não sou o Elias. Ele não pôde vir e me mandou." Deduzi logo que se tratava de um motorista do jornal.

Travei farto diálogo com o Cyrus, nome do motorista que me levou até o Hilton Nairóbi, hotel em que ia ficar. Ele confessou ter sido fundista na adolescência(posteriormente descobri que no Quênia quase todo mundo é ex-corredor).

Na chegada ao hotel, fiquei sem jeito de pagar pelo bom serviço prestado. Não fui cobrado. Nem havia taxímetro. Achei por bem fazer duas cortesias. Primeiro peguei o número do celular do Cyrus e prometi a ele que o chamaria caso precisasse de seus serviços. E fiz questão de dar-lhe US$ 5 de gorjeta (ignorava então se era muito ou pouco).

Sem jeito, achei que por modéstia, ele pegou a nota.

À noite saí para jantar com o Elias. Ele me levou a um restaurante típico do Quênia, coisa que queria muito conhecer. Na saída, me deu carona até o hotel.

Já estava quase deixando o carro quando ele perguntou se tinha dado tudo certo com o Cyrus no aeroporto. Disse que sim, mas confessei que não sabia se pagava ou dava gorjeta para o motorista, que havia sido muito simpático.

"Você deu gorjeta para nosso crítico de música", respondeu-me o Elias, para minha profunda vergonha.

Estava em meu segundo dia em Nairóbi e ainda não tinha satisfeito totalmente minha vontade de experimentar pratos típicos do Quênia.

O engraçado é que quanto mais procurava pelas ruelas do centro de Nairóbi, menos encontrava algum local que soasse como típico. Havia restaurante chinês, mexicano, botecos, pizzaria, casas de massas e nada que tivesse um ar mais exótico.

Ao contornar o City Hall, no final da avenida que me conduzia ao Hilton Nairóbi, finalmente encontrei o que procurava.

O restaurante era bem apertado. Dentro só havia negros, o que já me indicava que era freqüentado preferencialmente pela população local. E não poderia ser mais típico: as pessoas se serviam numa espécie de bandejão, que me pareceu apetitoso, até pelo fato de haver fila.

Uma senhora servia a gororoba. As mesas estavam quase todas ocupadas. Mas o restaurante era tão popular que achei que não pegaria mal sentar no meio de desconhecidos.

Sem pestanejar, peguei minha bandeja e entrei na fila. Foi quando outra mulher, muito solícita, perguntou-me: "O sr. é estrangeiro?"

"Sim, sou brasileiro. Quero conhecer melhor o seu país e a culinária local", respondi, já pronto para responder questões óbvias sobre futebol e Carnaval.

"Então, aqui é um restaurante católico para homeless", contou-me, meio sem jeito, a atendente.

Diante da perspectiva de roubar o sopão de mendigos quenianos só pude virar as costas rapidinho. Se ficasse, com certeza iria direto para o inferno, sem direito a baldeação no purgatório.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Sonho realizado

Mais um release para entrar para a história. Esse é do meu glorioso Verdão, o que de muito orgulho me enche. Contribuição do amigo e colega de Folha Alec, um dos nossos fiéis leitores do blog. Deliciem-se:

"Valdívia afirma que sempre quis jogar com uma chuteira amarela.

Em visita realizada por Valdívia ao escritório da empresa Dalponte em São Paulo, o jogador disse que a chuteira amarela foi amor à primeira vista.

No encontro com os representantes da indústria de material esportivo DALPONTE, contou com a ilustre presença do jogador Valdívia, que chegou muito simpático, sorridente e gentilmente atendeu a todos. O jogador falou sobre a parceria com a marca e sobre a nova chuteira que está usando há 15 dias. Relatou que sempre quis uma chuteira na cor amarela e com detalhes que facilitassem na hora do jogo. Quando foi apresentado ao produto disse: “Foi amor à primeira vista” . Fez ainda elogios a chuteira dizendo que é altamente leve e macia e não houve problemas de adaptação com o novo produto e brincou “Não deu bolhas”. Valdívia ainda solicitou a empresa que as chuteiras tivessem travas arredondados e mais altos do que chuteiras convencionais usadas pelos jogadores, o que segundo ele, facilitou muito o desempenho no campo.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Casar com a mulher feia pensando na cunhada?


Mais um release sensacional entre tantos que recebo (na verdade essa foi uma colaboração do Bubu, já que esse havia me passado batido). A história é sensacional...

"Naldo esteve na festa de 15 anos da cunhada antes de ir para Alemanha

O zagueiro Naldo, antes de se reapresentar ao Werder Bremen e iniciar os trabalhos visando a temporada 2008/2009, esteve na festa debutante (aniversário de 15 anos) da cunhada, Camila Paludo, ocorrida no dia 28 de junho, no Salão de Festa do Clube Famílias Geovanaz, em Garibaldi (RS)."

A notícia é acompanhada por essa singela foto.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Amaral e o Apartheid


Essa é para entrar na série "releases para a História". Você, com certeza, deve se lembrar do jogador Amaral, ex-volante do Palmeiras que tinha trabalhado como coveiro antes de despontar para o futebol. Certo? Pois é.


Aos 35 anos, ele ainda está na ativa. E, segundo um release, que recebi hoje, é alvo de interesse de um time australiano. Até aí, nada demais, afinal os australianos curtem contratar uns ex-jogadores brasileiros em atividade, vide o exemplo de Romário no Adelaide United. O mais interessante são os detalhes apresentados no release para valorizar o "craque". Dê uma olhada.


"Os empresários do volante Amaral foram procurados pelo Perth Glory da Austrália com interesse no futebol do 'contador de histórias'. 'Eles pediram informações sobre o Amaral, mas ainda não tivemos nenhuma proposta oficial', disse Calucho Jamelli, um dos diretores da empresa responsável pela intermediação do volante com o clube.


Amaral está com 35 anos e é figura carimbada no futebol brasileiro, seja pelos times em que atuou ou pelas fantásticas histórias que protagonizou. Em 1996, Amaral foi jogar pela seleção brasileira contra a África do Sul, quando um jornalista perguntou o que ele achava do Apartheid. 'Respondi que era um grande jogador, muito comentado no país e que o jeito era grudar nele para não perder a partida', contou o volante, que colocará essa e outras histórias no livro 'As aventuras de Amaral'".